ÁGUA

arquiteto Rodrigo Espindola

 

Em um planeta 70% coberto de água, sofremos pela falta desta.

 

Certamente não há falta de água. O que existe é a falta de água potável para os padrões de consumo humano e também a falta de distribuição em regiões remotas.

 

Portanto, é necessário agirmos com sabedoria e responsabilidade ao consumir água potável e ao descartá-la, já que o processo de purificação e distribuição tem valor alto, pelo qual muitas comunidades não podem pagar.

 

Não podemos permitir o uso de água potável para: irrigação, lavagem de carros ou calçadas e até vasos sanitários. Também não podemos devolver a água que utilizamos para diluir químicos e dejetos diretamente ao rio, pois isso causa poluição das águas e inviabiliza a utilização em comunidades remotas, desprovidas de rede de abastecimento de água potável.

 

Para garantir o abastecimento da população sem romper com o ecossistema, precisamos copiar a natureza com as seguintes estratégias e escolhas:

 

USO MODERADO – Evitar desperdícios por meio de hábitos conscientes que podemos desenvolver sem perder qualidade de vida. Podemos citar alguns exemplos como: fechar a torneira ao escovar os dentes, desligar o chuveiro para se ensaboar, comprar produtos que consomem menos água em seu processo produtivo, entre outros.

CAPTAÇÃO DE ÁGUA DA CHUVA – A água da chuva é um excelente recurso para uso não potável. Pode ser coletada das calhas do telhado e armazenada em cisternas (caixas d’água enterradas).

Vantagens:

– Mantém o volume de água nos rios mais constantes;

– Reduz o consumo de água potável para outros fins;

– Ajuda o agronegócio a crescer, o que eventualmente irá minimizar o custo da vegetação;

– Evita riscos de inundação;

– Não sobrecarrega as centrais de tratamento de água;

– Reduz o risco de seca;

– Reduz a erosão do solo;

– Mantém o nível adequado de água subterrânea.

PAISAGISMO – É o arranjo do entorno elaborado pelo homem. Pode ser com elementos secos, chamados Xeriscape, ou pode ser composto por elementos vegetativos. Dentro de conceitos de sustentabilidade tentamos agregar o maior número de funções que trazem benefícios tanto para a vida humana quanto para o entorno natural. Então, em um paisagismo vegetativo devemos explorar recursos como: garantir o microclima com sombreamento, umidade e temperatura, alimentação, estabilidade do solo,  recreação e apreciação pelas comunidades, assegurar a flora e a fauna local, entre outras.

 

E para que uma paisagem não gere um desequilíbrio no ecossistema precisamos, primeiramente, buscar muito conhecimento sobre todos os elementos com os quais estaremos trabalhando. Como por exemplo:

 

Água – Utilizar plantas nativas e/ou adaptadas para que possam resistir às condições do microclima (umidade, temperatura e pressão) da região. Assim, evitar-se o aumento de recursos externos como água e insumos para manter uma planta fora de seu habitat natural.

 

Em casos de irrigação necessária, devemos primeiramente explorar as fontes naturais de água, como captação de água da chuva e reuso. É um desperdício de recursos utilizar água potável para irrigar plantas que não precisam do claro e de outros químicos inseridos. Convém utilizar sistemas de irrigação que minimizem a perda de água e garantam as necessidades das plantas. Para isso, é preciso saber a composição do solo, a necessidade de água da planta e um sistema, o de gotejamento por exemplo, que garanta a quantidade e direcionamento da água para cada planta.

 

Funções – Além da contemplação, o paisagismo pode nos proporcionar outras funções como: sombra para reduzir a temperatura, proteção de ventos, alimento para um complemento ou até autossuficiência, tratamentos médicos, purificação do ar e muitas outras.

 

Reciclagem  no jardim – As folhas que caem, as plantas que morrem ou são podadas devem retornar ao local de onde vieram, ou seja, ao solo em compostagens para que não haja empobrecimento deste gerando a necessidade de buscar insumos externos que trazem junto, desde sua extração até logística, um uso desnecessário de recursos naturais e financeiros além de uma da degradação do meio ambiente.

FILTROS NATURAIS – Trata-se de um sistema que filtra a água que utilizamos, copiando a natureza. A água descartada, ou não potável, passa por caixas onde os resíduos serão absorvidos por plantas e bactérias, tornando água resultante isenta de contaminantes, podendo ser armazenada para reuso secundário ou passar por mais um processo de purificação para consumo.

Vantagens:

– Reaproveita a água;

– Reduz o consumo de água potável  gerando economia financeira;

– Reduz a sobrecarga no tratamento de esgoto;

– Mantém as cisternas abastecidas mesmo em épocas de seca;

– Retorna a água mais limpa para os rios, garantindo a sobrevivência da fauna e flora;

– Sistema pode ser incorporado ao paisagismo.

REDUÇÃO – Utilizar torneiras e chuveiros com temporizadores, aeradores e válvulas de redução de vazão, vasos sanitários com consumo reduzido e máquinas de lavar mais eficientes; eliminar vazamentos, usar irrigação inteligente, entre outros.

Evitar desperdícios

Torneiras com aeradores

Rinorea niccolifera

Planta “come metal”, Utilizada para filtrar metais pesados da água

Paisagem modelada

Xeriscape (não há a necessidade de água)

Sistema de gotejamento para irrigação

Paisagismo comestível

Sombreamento estratégico

Compostagem de folhas, galhos e restos de alimentos para nutrir  as plantas

Vaso sanitário com menor consumo de água